quarta-feira, junho 10, 2020

Dia de Camões... e de Portugal...



Porque hoje é Dia de Camões… de Portugal… e das Comunidades Portuguesas, estou aqui para vos desejar um excelente feriado, de preferência, na companhia de muita e boa poesia ❤

Até mais, até lá fiquem bem…

Elisabete, a Borboleta Despenteada

segunda-feira, junho 08, 2020

Dia Mundial dos Oceanos



Num mundo cada vez mais poluído pelo ser humano, os Oceanos transformam-se a uma velocidade alarmante num local cada vez mais perigoso para todas as espécies que o habitam, ao invés, de serem o seu “palco” de vida.

Por ano estima-se que milhares de animais marinhos morram devido às alterações climáticas e à poluição, e algumas espécies estão já em vias de extinção.

É urgente começar uma mudança já.

Elisabete, a Borboleta Despenteada

sábado, maio 23, 2020

Estabilidade… Ah!!!, essa doce fantasia.



Grandiosas saudações.

Cultura… ao que parece anda na moda, mesmo estando (a meu ver) em estado comatoso há muito, e dado que ela se encontra moribunda, talvez não fosse má ideia começar por nos questionarmos sobre algo importante.

O que é a Cultura?

De que cultura se fala e que tipo de cultura pretendemos?!

Falamos da cultura de batatas e outras demais espécies de cultivo da terra?!
Do cultivo do conhecimento?! Da educação?! Dos conhecimentos que nos formam enquanto indivíduos?!
Da cultura dos hábitos e dos costumes?!
Da cultura do corpo e da mente?!
Da cultura intelectual? Da cultura artística?
Ou falamos simplesmente da cultura de micro-organismos?!

Uma coisa é certa, anda por aí muito micro-organismo a fazer fermentar pão, e se há coisa a que ninguém resiste, é a um belo pão… é caso para dizer – Que o Presente e o Futuro nos livre de pão estragado.

Mas falava de Cultura… no fundo Cultura é tudo o que mencionei e muito mais, e haveria debates sem fim sobre o bom e o mau de cada uma destas culturas…

Será que de momento o que os/as artistas querem mesmo - é uma mudança na cultura?!!!, (no todo do seu significado?!), ou será que o que eles/elas querem, é - reconhecimento, respeito, e a devida remuneração pelo trabalho que efectuam?!

É que isso não é só cultura, é mais do que cultura, é antes de tudo o mais – uma reivindicação de direitos pela escassa falta dos mesmos.

No fundo, o que queremos mesmo é uma mudança, senão mesmo uma Revolução, NÃO na Cultura em si, mas no podre Ministério da Cultura.

A forma como o Governo encara a Cultura, como sabemos, é duvidosa, até porque como a cultura não é só arte, este ministério pode, ou não, efectivamente apoiar as Artes, e depois dentro das Artes, pode ou não, apoiar todas as artes que a Arte engloba.

Há muita gente que pensa que Arte se resume a espectáculo, pois bem - Nem todas as Artes são Espectáculo, mas seguramente muitas há, que são Espectaculares.

Como sabemos, apenas uma pequena parcela deste grupo de artes beneficia seja do que for… e da maneira que as coisas caminham, acho que não viverei para ver um apoio às Artes no geral, (embora ache que todas as formas de arte deveriam ser apoiadas e respeitadas, e não apenas as que dão mais visibilidade e mediatismo), contudo, sabemos muito bem que os apoios à Arte são ínfimos, e os que existem, só existem para os mais conhecidos, os pequenos, esses estavam, estão e continuarão a estar, dependentes de um esforço hercúleo, e quiçá, de alguma sorte na vida, para conquistarem a mais pequena coisa que seja… e esse esforço não advém de agora ou do Covid19, vem de sempre, porque não há, nem nunca houve, grande preparação na nossa sociedade para o que é a Arte, para a utilidade que ela tem, para o seu papel, e de que forma pudemos e devemos inclui-la na nossa vida, seja na vida individual ou em sociedade, e quando falo na nossa vida, refiro-me à vida de todos, não apenas à dos/das artistas.

Sempre se promoveu a Arte como algo dispensável e descartável, como uma futilidade, como uma distracção ou um passar o tempo… mas não nos enganemos, porque a Arte não é essa criatura ligeira e supérflua, apesar de a sociedade em geral não a ver ou encarar de outra forma, o que é triste, e a culpa é essencialmente dum estado que promove esse pensamento, esse comportamento, esse paradigma… que depois se perpétua como um cíclico ciclo vicioso, no seio da maior parte da nossa sociedade, ou não fossemos afinal nós também, parte culposa dessa espécie de estado de limbo em que nos encontramos.

Precisamos começar urgentemente uma mudança, e essa mudança começa na base, no início do ser. Como sabemos, as mentalidades demoram décadas a ser mudadas, é todo um longo processo, logo urge começar já, para que haja a hipótese de uma mudança de mentalidades, seja em relação à Arte ou a tudo o resto. Mas como bem sabemos a Educação também não anda muito bem de saúde… e se formos olhar para a Arte e seu impacto na Educação dos jovens de hoje, aí então encontramos um universo calamitoso.

A Arte serve para muitas coisas, para nos estimular, para nos tornar mais criativos, para nos dar novos pontos de vista, ou simplesmente para nos ajudar a expressar sentimentos e emoções.

Já nos tempos primitivos a arte funcionava como linguagem, de forma a traduzir aquilo que não se conseguia traduzir de mais forma nenhuma, portanto, desengane-se quem acha, que a arte é coisa apenas de e para intelectuais.

Não obstante a importância da Arte na nossa formação enquanto seres humanos, tem-se revelado também extremamente útil no tratamento de doenças do foro psicológico e psiquiátrico.

Isto para dizer que há muitas utilidades para a Arte na sociedade, muitas formas de a incluirmos, só não tem havido predisposição para a inclusão da mesma… a menos que… “andemos” reféns do Covid19, aí de repente já quase todos se lembram de recorrer à Arte, o mais que não seja, para manter alguma sanidade mental. Sim, porque quando lêem um livro, ouvem uma música, ou se sentam a ver um filme, ou até quando ficam apenas a apreciar pinturas, esculturas, ilustrações, etc, no ecrã de um computador, tablet ou telemóvel, estão a consumir Arte, e estão a fazê-lo porque vos sabe bem, estão a fazê-lo porque mesmo inconscientemente, sabem que vos faz bem.

Os/as artistas querem uma mudança pelo presente e pelo futuro, e quanto a eles e elas no geral não sei, mas eu pessoalmente não quero essa mudança por causa do Covid19, muito menos desejo essa mudança apenas de agora ou só para o agora, eu quero uma mudança sim, mas porque o passado das Artes em Portugal tem sido péssimo, como tal, eu gostaria de uma Mudança, pelo PASSADO, pelo Presente e pelo Futuro da Arte em Portugal…
… se aquilo que queremos é uma reparação e uma mudança revolucionária, ou até, um ajustar de contas pela injustiça praticada contra nós ao longo das últimas décadas, nesse caso temos de começar também por exigir uma reparação do que foi praticado, até porque, o presente e o futuro não existem, nem vão existir numa versão melhorada, sem verdadeira consciência do que aconteceu no passado. Se assim não for, acabaremos a perpetuar erros que já foram cometidos, ao invés de os evitarmos, e no final, em vez de avançarmos, acabamos a rodar atrás da própria causa, tal qual um cão a rodopiar atrás da própria cauda em movimento perpétuo.

À parte tudo isto, fico feliz que finalmente haja uma maior mobilização pelas Artes, só tenho pena é que tenha sido necessário surgir um vírus pandémico chamado Covid19, de forma a este atingir quem melhor vivia na área das artes até esse dia, para fazer essas pessoas sentirem o sabor da precariedade em que mais de metade dessa mesma classe vive há décadas, e vermos finalmente muitas caras conhecidas a juntarem-se ao grupo dos que lutam há anos por melhores condições nessa mesma área, e de quem nunca ninguém quis saber… aliás, de quem nunca ninguém quis saber, e de quem certamente continuaram sem querer saber, pois a acontecer algo, esse algo certamente beneficiará apenas quem já era beneficiado até agora, ou então, quem conseguir a cunha certa, ou simplesmente, quem tiver a sorte de estar no sítio certo à hora certa, certo?!?!?

Ah e os outros?!, bem, os outros serão sempre os outros… o que me leva a mais duas perguntas:

– Quem são, ou vão ser, os/as verdadeiros beneficiários de toda esta mudança se ela acontecer?!
– Estarão os beneficiados dispostos a ser solidários com os Não beneficiados?!

Independentemente do desfecho desta história continuarei a lutar pelo que sempre lutei, e essa luta é contra o facto de passar a vida a ver o mundo desabar para os mais fracos, neste caso em específico, falo do trabalho precário no mundo das Artes, seja por causa da pedância e dos ciclos viciosos a que também os/as próprios/as artistas o habituaram… ou… da forma corrupta como o sector se move. É a pessoa X que lambe as botas à pessoa Y, que por sua vez adora uma bajulação e o/a recomenda à influente pessoa Z… mas pensando bem, não é mais ou menos assim em todos os outros sectores?!, porque haveriam as Artes de ser diferentes?!

Ah!, e os convites que chovem, mas apenas para trabalho gratuito, sim, porque eu enquanto ilustradora não preciso de comer nem pagar contas, aliás, tendo em conta os últimos anos, acho que até já posso dizer que ando a treinar para passar a viver de prana.
Talvez seja altura de começar a pensar virar assaltante de lojas de material de artes, a parte “boa” do Covid19 é que pelo menos máscara já não me falta para efectuar o assalto, isto desde que, eu não cometa a insanidade de a enfiar debaixo do queixo... ou a deixe pendurada numa só orelha… ou a coloque a servir de bandolete, como muita gente faz, mas adiante, pedidos de trabalho gratuito em troca de publicidade é coisa que realmente nunca falta, sendo que, a “publicidade” em questão muitas vezes se resume a que apareça o nosso nome junto ao trabalho, como se isso, já não fosse de si obrigatório mesmo pagando… pois é, parece que a trabalhar de graça, e uma vez que não há material que se compre sozinho, para ter acesso a ele, só mesmo roubando.

Se queremos mudar realmente a Cultura e as Artes, não deveríamos começar por mudar também este tipo de pensamentos inconsequentes, acções corruptas e atitudes permissivas?!
E por mim falo, quantas vezes ingenuamente não tive a atitude permissiva de trabalhar sem cobrar… “Ah, é só desta vez”, e depois vem outra… e outra… e um dia acordamos para a vida, e apercebemos-nos de que só estamos a ajudar a perpetuar actos que não deveriam ser perpetuados, muito menos permitidos, aliás, deveriam antes ser – Punidos.

Para terminar – Dentro do mundo das Artes existe um infindável número de “micro-organismos”... um desses “micro-organismos” chama-se ilustração… sim, porque  Artes não é só Teatro, Cinema, Música e Dança.
Para quem não sabe o que é essa coisa da ilustração, aconselho um estudo minucioso, se tiverem dificuldade em decifrá-lo, façam uso do “microscópio”, embora acredite que nem com “microscópio”, a maioria das pessoas fique clarificada sobre os efeitos que a fermentação mental desse “micro-organismo” poderia causar, se, ingerido por toda a população, e mesmo que, apenas em dose moderada.

Até mais, até lá, se puderem, fiquem bem… ❤

Elisabete, a Borboleta Despenteada

terça-feira, maio 05, 2020

Bologna Children’s Book Fair



Grandiosas saudações.

Este ano, talvez devido à época de pandemia que se vive, a Bologna Children’s Book Fair, em Itália, abriu um Mural Virtual a todos os ilustradores e ilustradoras que quisessem mostrar um pouco do seu trabalho, dando-lhes assim a oportunidade de contar algo com uma imagem.

Podem encontrar online, de 4 a 7 de Maio, neste Illustrators Wall, 2500 participantes de 5 continentes, que abraçam 80 países e territórios.

Para navegarem por lá sigam o link:


… de seguida basta escolherem o continente, seguindo-se o país, ou os países que querem ver… e por fim, é clicar em cima das imagens de que mais gostam para saberem mais informações.

Da minha parte podem encontrar por lá a ilustração - “X com o papá na piscina”, ilustração que faz parte de um livrinho que adorei ilustrar e que sairá muito em breve.

E por hoje é tudo... até mais, até lá se possível fiquem bem… ❤

Elisabete, a Borboleta Despenteada

domingo, maio 03, 2020

Today my mama is the Queen



Porque hoje é Dia da Mãe… e porque a minha Mãe é maravilhosa… e porque ela merecia ser Rainha todos os dias, mas infelizmente não pode… é que simplesmente nem todas podem sê-lo de facto, as razões para tal obviamente são muitas e variadas… contudo, isso não me impede de a achar a mais resplandecente das Rainhas deste Mundo ❤

A todas as mães - os meus votos sinceros de um Dia da Mãe cheio de magia ❤

Até mais, até lá fiquem bem…

Elisabete, a Borboleta Despenteada

sexta-feira, abril 10, 2020

Há Invernos dentro das Primaveras | 春天裡有冬天 | В источниках зима | 春には冬があります



Entre a Primavera da natureza que desabrocha lá fora e a do imaginado que mora cá dentro, há “Invernos”…  Invernos  que habitam dentro das primaveras e precisam de ser fintados, de maneira a que mais tarde ou mais cedo, as “primaveras” consigam devorar esses seus invernos interiores.

Hoje, quero acreditar que no futuro, seja ele próximo ou longínquo, conseguiremos ter o poder de ressurgir renovados, tal qual Primavera, despoletando cor e vida onde havia dormência e escuridão.

Foi assim que surgiram estas minhas duas ilustrações díptico, ilustrações que podem encontrar não só aqui, como também na Galeria do P3.

A galeria intitula-se de – “Quarentena ilustrada é quarentena bem passada”, e convido-vos a ver todas as obras que por lá andam, para tal, basta seguirem o link:




Até mais, até lá, se vos for possível, fiquem bem ❤

Elisabete, a Borboleta Despenteada

terça-feira, abril 07, 2020

Vai ficar tudo bem… falta saber – Para quem?!



Eu, que gostava tanto de arco-íris, ultimamente dou por mim a sufocar sempre que os vejo, sendo que, a asfixia na verdade nem é tanto por vê-los em avalanche, mas sobretudo, por causa da mensagem que trazem atrás – “Vai ficar tudo bem”. A vocês não sei, mas a mim esta frase faz-me alguma comichão, porque a verdade é que não vai ficar tudo bem, ou até vai, mas certamente não será para toda a gente, e muito menos tal acontecerá num curto espaço de tempo, logo, pergunto:

– Vai ficar tudo bem para quem?!

Para os que morreram?, para os que ainda vão morrer?!, para os familiares de todas as pessoas que já passaram ao outro plano?!, para quem está em estado crítico?!, para os profissionais de saúde que estão a cair para o lado de exaustão?!, para as pessoas que são obrigadas a sair de casa todos os dias a medo para ir trabalhar porque não têm outra alternativa?!, para as pessoas que já estão sem emprego, ou até sem casa?!

Mas pronto, vá lá – Respirem… pois vai ficar tudo bem para lá do arco-íris... depende é claro, do grupo do qual fazem parte, do grupo, ou então, da zona em que vivem ser propensa a esse maravilhoso fenómeno.

Ah!!! Vejam!!! É um arco-íris...

Antes a meteorologia restringia-se a – Vai cair neve, vai estar sol, vai chover, vai estar nebulado… ou a alertas para excesso de vento e outras demais intempéries, mas dada a recorrente manifesta euforia por arco-íris, sugeria que passassem a incluir na meteorologia as localidades onde de agora em diante, poderemos passar a vislumbrar um, é que se onde há um arco-íris tudo vai ficar bem, creio que será do interesse geral saber onde tal irá acontecer… ou daí talvez não!!!, porque se já há quem saia de casa sem qualquer motivo válido, se passarem a dizer as localidades premiadas com a Aparição de um Arco-Íris, corremos o risco de ter por aí, um crescente aumento de gente a violar a quarentena.

Bem, vou tentar desenvencilhar-me dum tal de arco-íris que insiste em estrangular-me, ou corro o risco de vir a precisar de ventilador em breve… e eu cá não quero roubar lugar a nenhum velhinho... ou velhinha.

Até mais, até lá, se vos for possível, mantenham-se a salvo ❤

Elisabete, a Borboleta Despenteada

terça-feira, março 24, 2020

Querida Grunholândia



Actualmente vive-se um estado de sítio em muitos sítios deste recôndito planeta, numa quarentena mais ou menos globalizada, onde o mais famoso hashtag do momento é – #fiqueemcasa.

Fique em Casa, Hashtag de ordem, senhor de si só, cheio de sapiência, imperativo no seu clamar… em oposto a isso ficam todos os que não ficam em casa – párias, e como bem sabemos as párias são indesejáveis, tão indesejáveis que ultimamente se tornaram uma espécie de importação inconsciente d’Os Intocáveis, (a última Casta das Castas da Índia)… tal como lá, estes intocáveis, (que por aqui se tornaram intocáveis por serem párias desobedientes), tornam-se, em consequência disso, o suprassumo da aversão alheia.

Parece que de repente já não importa o motivo da saída à rua… sai leva com o dedo apontado na cara, sem oportunidade de defesa, sem rebate, sem contestação, sem segundo ponto de vista… como se por momentos todos estes dedos, que não podem tocar, quisessem “tocar” a todo o custo neste indesejável grupo de intocáveis.

Sim a ameaça é real apesar de invisível ao olho humano… talvez por ser tão microscópica nos assuste em contrária proporção, e por isso mesmo, nos agigante o sentido de responsabilidade e de civismo…
… sejamos então conscientes e tenhamos a devida precaução, sim, tenhamos precaução a todos os níveis, inclusive, precaução na estupidez e na facilidade com que julgamos o próximo sem saber a sua história.

Julguemos sim, mas não apenas porque há covid-19, julguemos agora e depois, o que está, estava e continuará a estar errado; julguemos agora e depois, todas as pessoas que sem respeito tossem para o ar, ou que espirram como se competissem com os seus pequenos “gafanhotos” numa espécie de olimpíadas imaginárias de salto em comprimento… julguemos os/as que cospem e escarram para o chão, os/as que grunhem palavrões ofensivos a quem os não merece… os que mandam lixo para onde não devem… julguemos, mas julguemos apenas quem por preguiça ou maldade não faz uso da palavra civismo… sim, porque ser-se Grunho é fácil, e como bem sabemos, há muita gente preguiçosa por aí. Mas nem toda a criatura que anda na rua é grunho… assim como nem todas as pessoas podem ficar em casa.
Os profissionais de saúde estão nessa primeira linha, caso a meu ver para dizer aos mesmos, em modo hashtag - #ObrigadaPorNaoFicaremEmCasa…
…e eles não são os únicos, há depois deles muitos outros que até gostariam de estar em casa mas não podem, faz esse grupo parte de profissões a que a sociedade chama de menores, mas das quais todos nós e todas nós carecemos - como cuidadores, voluntários, auxiliares de limpeza (seja em Hospitais ou noutros locais), funcionários da recolha do lixo, etc… quase ninguém pensa nessas pessoas, são os visíveis invisíveis, e eventualmente miseráveis merecedores de sua miséria aos olhos de muita gente que se diz iluminada.

São pessoas de classes baixas… simples… e por isso mesmo, porque podem não ser pobres de espírito, mas são certamente pobres no bolso, efectivamente pobres, no mais triste e lamentável sentido da palavra pobreza, viajam de autocarro, de comboio, de metro, e muitas vezes, como nem dinheiro para os transportes públicos têm, vão a pé… o que como é óbvio não quer dizer, que só ande a pé quem não tem dinheiro… mas são estes os seus meios de transporte, e se o são, é normal que não se vejam as ruas, as paragens, as plataformas e outros demais locais, tão vazios quanto se desejaria, no entanto, há quem achando isso motivo de noticia a noticiar, vá logo a correr assuntar o assunto… caso para dizer… e você caro delator, ou cara delatora, porque não está em casa?!, e já agora, onde ficou a distância de segurança de que tanto falam aquando do apontar, ou do entrevistar, dos/as transeuntes?!


Sempre achei que para podermos apontar o dedo a alguém teríamos primeiro de merecer esse direito, e para o merecer teríamos de dar prova de tal através do exemplo, até porque caso contrário pergunto-me – que moral tem alguém em julgar alguém, quando a sua própria moral é duvidosa?!

Além dos casos já mencionados, há ainda aqueles cujo trabalho pode não ser tão crucial neste momento, mas que, não podem deixar de ir trabalhar, porque por mais medo que tenham do coronavírus, e por mais que desejassem ficar em casa, se ficarem são despedidos/as, e se não morrerem então do coronavírus, arriscam-se a morrer de fome e/ou a matar de fome os seus filhos e as suas filhas (caso os/as tenham), o que me leva a parafrasear um velho ditado popular - “SE CORRER O BICHO PEGA, SE FICAR O BICHO COME”.

Julgar é fácil, difícil é colocarmos-nos na pele do outro… e sim, temos todos/as o direito de não concordar uns com os outros, mas independentemente da concordância, ou da falta dela, todos/as nós nos devemos Respeitar, assim como – Averiguar, antes de Julgar.

Não bastasse tudo isto, há casos ainda mais dramáticos, os de todas as pessoas vulneráveis que simplesmente não têm casa, como é o caso dos sem-abrigo.
Talvez fosse o caso de criar a hashtag – Uma Casa Para Todos… sim, porque para se ficar em casa, primeiro, temos de ter uma casa.

Nem todas as pessoas que saem à rua saem pelos mesmos motivos… nem todos nós fazemos parte do grupo de pessoas que sai à rua por lazer, ou para apanhar banhos de sol.


A mim pessoalmente se me apanharem na rua é porque se tornou imperativo sair… como aliás quase sempre foi, pois não fossem as notícias desoladoras do coronavírus na TV, para mim seria praticamente um dia normal…
… é que eu, tal como muitos/as outros/as artistas, já vivíamos numa espécie de quarentena muito antes da quarentena nacional ser decretada… e eu disse – numa espécie de quarentena, falo no sentido figurado, pois se quiser ser literal, o correcto seria chamar-lhe reclusão… e sim, há mais grupos de pessoas que antes da quarentena também já viviam constantemente numa espécie de quarentena, não porque querem, mas porque a isso as suas condições físicas e/ou psicológicas os/as obrigam, como é o caso de pessoas com depressão profunda, mobilidade reduzida, doenças crónicas, ou outras.
Claro que são “quarentenas” diferentes e bastante distintas, é facto. A quarentena que se vive hoje prende-se com um esforço colectivo na Tentativa da Não Propagação deste maldito Vírus… já a minha “quarentena” pessoal de quase toda uma vida, prende-se com o facto de eu fazer parte de uma profissão que por norma é realizada em isolamento no meu próprio lar, (eis as vantagens, e as desvantagens, de se passar a vida no grupo dos chamados Recibos Verdes… ora empregados… ora desempregados… porque toda a gente precisa eventualmente, no sentido literal, destes polivalentes freelancers, aquilo de que nem toda a gente gosta - é de lhes pagar condignamente, ou de lhes assegurar estabilidade profissional, mas isso, dava outro texto), portanto prosseguindo… estava eu a dizer, que a minha “quarentena” pessoal de quase toda uma vida se prende com o facto de eu fazer parte de uma profissão que por norma é realizada em isolamento, com isso, com a constante falta de dinheiro, e talvez um pouco também, com a constante ausência de empatia pelas atitudes do ser humano em geral.

Caso para dizer – população em geral, bem-vinda ao isolamento, que este vos sirva para pensar na vida que levavam, e no que querem mudar daqui para a frente… ou simplesmente que vos sirva para se lembrarem daqueles amigos ou amigas que sempre viveram isolados/as, e aos quais vocês nunca ligaram grande coisa porque andavam demasiado ocupados/as a viver a vossa vidinha corrida... talvez agora, experienciando por algum momento essa solidão, entendam o quão foram negligentes no passado, e o quão importante é sentir alguém presente, verdadeiramente presente, mesmo sem a presença de um corpo físico.

Resumindo, não me identifico minimamente com a hashtag “#Fique em casa”, até porque se publica-se, fosse onde fosse, #Fiqueemcasa, estaria a publicar essencialmente para quem já conheço, e uma vez que quem conheço já está em casa, e quem não está, se não está, é porque não pode estar, publicar tal coisa seria só ridículo… assim sendo, a ter hashtag, que a minha hashtag seja – #EuEstouEmCasa…

…  ou #ObrigadaPorTambemEstarEmCasa, para quem tem casa... e pode estar lá.

Por fim mas não menos importante, a quem está lá fora a zelar pelo bem dos demais, fazendo do seu dia-a-dia uma luta onde arriscam a vida a todos os segundos, dando assim o melhor de si por uma humanidade que nem sempre é muito humana ou merecedora seja do que for, para todos eles e elas, as minhas hashtags são:
- #OBRIGADA  #VocesSaoOsHeroisEAsHeroinasDesteInicioDeNovoMilenio

São momentos difíceis, confirma-se, hoje falei com alguma seriedade, mas amanhã talvez me apeteça arremessar com algum humor-negro a este recém-nascido coronavírus, para ver se ele se desmancha e sucumbe, nem que seja apenas na minha mente e por breves momentos… porque às vezes rir é realmente o melhor remédio… rir até às lágrimas de felicidade, de medo, de tédio, de ódio, de loucura... rir, não como forma de escárnio, mas como forma de escape e superação… isso!!!!… ou então alieno-me a desenhar, sejam esses desenhos sobre tragédias, ou sobre pós de perlimpimpim, porque a dor de cada um é de cada um, e cada um tem à sua maneira uma forma particular e peculiar de lidar com ela, independentemente de essa maneira ser a mais certa ou a mais errada para os demais.

Até mais, até lá, com ou sem álcool etílico, e com ou sem papel higiénico, deem uso à água e ao sabão, que eu daqui fico a torcer para que continuem saudáveis de corpo e mente.


Já agora, se tiverem a sorte de ter um pequeno quintal, ou jardim, ou janela virada para a natureza, desfrutem deste início de Primavera, pois não há nada melhor e mais belo, do que, combater o cinzento destes dias de virulência, com a subtil fragilidade do despertar das flores.

Elisabete, a Borboleta Despenteada

Quais são as mais populares?!